
A contabilidade pública deve ganhar novas atribuições com a adoção de relatórios de sustentabilidade voltados à análise de riscos climáticos, estratégias governamentais e impactos fiscais. O tema foi discutido nesta última quinta-feira (23), durante o painel “Relatório de sustentabilidade: o próximo capítulo da contabilidade do setor público”.
O assunto fez parte do Congresso Internacional de Contabilidade da USP, com participação da diretora-geral de Contabilidade da Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP), Graziela Luiza Meincheim.
A atividade integrou a programação promovida pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e debateu como a contabilidade pode contribuir para uma gestão pública mais transparente e preparada para desafios futuros.
Relatórios passam a considerar riscos climáticos
A elaboração de relatórios de sustentabilidade representa uma nova etapa para a contabilidade pública, que tradicionalmente atua no controle financeiro, patrimonial e orçamentário dos governos.
Com a mudança, informações relacionadas a fatores ambientais, sociais e de governança passam a fazer parte das análises utilizadas na tomada de decisões públicas.
Entre os pontos avaliados estão os impactos das mudanças climáticas sobre as contas públicas, os riscos para políticas governamentais e a necessidade de planejamento de investimentos para prevenção e adaptação.
Segundo especialistas, a inclusão dessas informações permite que gestores públicos tenham uma visão mais ampla dos possíveis impactos financeiros de eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e outros fenômenos que podem comprometer a execução de serviços públicos.
Gestão de riscos ganha espaço na contabilidade pública
Além da elaboração de relatórios, a gestão de riscos passa a ter papel mais relevante dentro da atuação contábil.
Na prática, os profissionais da área passam a contribuir não apenas com o registro dos dados financeiros, mas também com análises que ajudam governos a identificar ameaças, avaliar cenários e tomar decisões com maior segurança.
A integração dessas informações permite acompanhar possíveis impactos fiscais e melhorar o planejamento dos recursos públicos, fortalecendo mecanismos de transparência e governança.
Normas internacionais influenciam novas práticas
A mudança acompanha um movimento internacional de modernização da contabilidade pública, com maior integração entre informações financeiras e indicadores de sustentabilidade.
Durante o evento, foram debatidas normas desenvolvidas pelo International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB), responsável pela elaboração de padrões internacionais para o setor público.
Entre as iniciativas está a IPSASB SRS nº 1, que estabelece diretrizes para a divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade por entidades públicas.
No Brasil, a expectativa é que essas práticas sejam implementadas gradualmente, com apoio de órgãos como a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que trabalha no desenvolvimento de orientações para os entes públicos.
Novo papel para profissionais da contabilidade
Com a ampliação dessas exigências, os profissionais da contabilidade pública passam a assumir uma função mais estratégica dentro da administração pública.
Além do domínio técnico sobre normas contábeis e orçamentárias, será necessário desenvolver conhecimentos relacionados à análise de riscos, sustentabilidade e interpretação de dados para apoiar decisões governamentais.
Para o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), as mudanças nos relatórios de sustentabilidade reforçam a importância da profissão na construção de uma gestão pública mais eficiente e transparente.
A tendência é que a contabilidade pública avance de uma atuação focada exclusivamente no controle das contas para uma participação mais ativa no planejamento e na avaliação dos impactos das políticas públicas.
Publicado em 27 de julho de 2026 · Redação CONPLAN
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