
Com a aproximação das fases de transição da Reforma Tributária — como o período de testes do IVA dual (IBS e CBS) e o repasse de créditos —, o novo sistema deixou de ser um assunto exclusivo de escritórios de contabilidade e tornou-se prioridade estratégica na mesa dos executivos.
A transição exige das corporações uma revisão profunda em tecnologia de sistemas (ERPs), reestruturação de preços e alinhamento de faturamento corporativo.
Confira como 7 grandes empresas atuantes no Brasil estão liderando essa adaptação para garantir conformidade e competitividade fiscal.
1. Meta (Facebook / Instagram / WhatsApp)
- Frente de Atuação: Adequação do Modelo de Faturamento e Mídia Digital.
- A Estratégia: A Meta reestruturou seu sistema comercial e de faturamento para anunciantes no Brasil. A empresa prepara a parametrização dos novos tributos (IBS e CBS) na emissão de faturas e notas fiscais para realizar os testes de alíquotas. Paralelamente, ajustou a forma de repassar tributos indiretos (como PIS/Cofins e ISS) no custo final dos anúncios para que empresas e agências consigam realizar o aproveitamento de créditos fiscais de forma transparente dentro do modelo de IVA não cumulativo.
2. Ambev
- Frente de Atuação: Logística e Imposto Seletivo.
- A Estratégia: A maior cervejaria do mundo enfrenta uma dupla adaptação. Por um lado, bebidas alcoólicas passam a ser impactadas pelo Imposto Seletivo (“Imposto do Pecado”). Por outro, a Ambev reavalia a distribuição de seus Centros de Distribuição (CDs): como a arrecadação migra gradualmente da origem (onde o produto é fabricado) para o destino (onde é consumido), os incentivos estaduais do ICMS deixam de ditar a estratégia logística da companhia.
3. Natura &Co
- Frente de Atuação: Precificação e Crédito Acumulado.
- A Estratégia: Com um modelo baseado em venda direta e insumos de várias regiões do país, a Natura organizou comitês para recalcular suas margens. Com a não cumulatividade plena do novo IVA Dual, a empresa visa agilizar a recuperação de créditos de tributos pagos ao longo da cadeia produtiva (como insumos e embalagens) sem desequilibrar o preço final praticado por suas consultoras.
4. Magazine Luiza (Magalu)
- Frente de Atuação: Sistemas ERP e Gestão de Marketplace.
- A Estratégia: Operando com milhões de produtos transacionados diariamente entre vendas diretas e vendedores terceiros (sellers de marketplace), o Magalu atualiza seus algoritmos e ERPs. A infraestrutura de TI precisa calcular a alíquota correta do IVA no momento do checkout e da liquidação financeira, garantindo que o repasse de tributos de vendedores de diferentes estados seja feito de forma automática e sem erros operacionais.
5. Petrobras
- Frente de Atuação: Regimes Especiais e Revisão de Contratos.
- A Estratégia: Sendo uma das maiores contribuintes do Brasil, a Petrobras mantém contratos de infraestrutura de longos prazos. A estatal estruturou planos de revisão contratual com fomento a cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro. Além disso, acompanha de perto as regulamentações técnicas do setor de combustíveis, que terá regras operacionais e alíquotas uniformes específicas no novo IVA.
6. Grupo Pão de Açúcar (GPA)
- Frente de Atuação: Cadastro de Produtos e Cesta Básica.
- A Estratégia: No varejo de alimentos, pequenas margens exigem extrema precisão no cadastro fiscal. Com a definição da Cesta Básica Nacional (alíquota zero para itens essenciais) e de cestas estendidas com desconto, o GPA trabalha na reclassificação e parametrização fiscal dos seus produtos para evitar recolhimentos indevidos ou perda de competitividade nas prateleiras.
7. Grupo Boticário
- Frente de Atuação: Automação Fiscal e Inteligência Artificial.
- A Estratégia: Com presença forte no e-commerce, franquias e lojas próprias, o Boticário investiu em automação e IA para adequar o cadastro tributário de seu vasto portfólio. A empresa estruturou testes internos de apuração paralela entre o regime atual (PIS, Cofins, ICMS e ISS) e o novo regime (IBS e CBS), preparando seus times para operarem com segurança durante a fase de transição dos dois sistemas.
3 Lições Extraídas do Movimento dessas Empresas
- Impacto multidisciplinar: A reforma não é um assunto isolado do departamento fiscal. Ela altera precificação, investimentos em tecnologia, faturamento corporativo e logística.
- Sistemas em coexistência: Durante o período de transição, as empresas precisam adaptar suas ferramentas de TI para emitir notas e apurar impostos simultaneamente nas regras antigas e nas novas.
- Fim do foco em incentivos fiscais: As redes de produção e distribuição estão sendo redesenhadas com foco em eficiência de transporte e atendimento ao cliente, e não mais na dependência de benefícios de ICMS nos estados.
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Por Lucas de Sá Pereira, contador https://contadorlucaspereira.shop/, e colunista do Jornal Contábil e criador do instagram @contadorlucaspereira
Publicado em 24 de setembro de 2026 · Redação Marconi Nunes Contabilidade
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